domingo, 29 de maio de 2011

29 de Maio: aTensãoJAZZ Episódio 5

O episódio de hoje poderia intitular-se "Da Biblioteca Nacional à Linha do Estoril passando por Nova Iorque".
Começamos com um breve visionamento dos microfilmes na Biblioteca Nacional, onde se encontrará muito material para os investigadores, muitos e muitos textos que foram contribuindo para a presença do jazz no mundo português e podendo servir de espinha dorsal à História consolidada.
Carlos Barretto. ak.a. Kató, fala-nos da sua carreira, e como jovem da linha do Estoril, é uma excelente introdução ao papel dessa cidade, mais uma vez passando por Luiz Villas-Boas(em arquivo, outra vez), e a reabertura do Luisiana Jazz Club, que foi palco importante para a construção de uma cultura, de concertos regulares e pagos, e a presença de músicos como Carlos Zíngaro, que também participa... O conjunto Plexus e o Luisiana são peças fundamentais na sua rememoração para o programa.
A história é feita de empresas discográficas, e é nesse sentido que Paulo Gil aparece, para nos falar da sua carreira mas sobretudo do mercado de discos em Portugal nos anos 1970, e em que é que o seu trabalho contribui para a progressiva abertura e divulgação do jazz neste canto do mundo.
Para fechar Maio, temos o guitarrista e compositor Pedro Madaleno, que frisa acima de tudo o que significou para ele estudar jazz, composição, etc., nos Estados Unidos, uma vez que é ele um dos primeiros músicos portugueses a seguir esse caminho, depois trilhado por muitos. É dele o concerto que encerra o episódio de hoje,concerto do agrupamentop U.N. DERPRESSURE na Festa do JAZZ 2009, no São Luiz Teatro Municipal.
Bom visionamento!

domingo, 22 de maio de 2011

22 de Maio: aTensãoJAZZ episódio 4

O episódio de hoje abre com Villas-Boas, mais uma vez na sua rubrica televisiva do programa de Rui Martins, a abordar os cantares populares e pregões que se encontram nas mais profundas raízes do que viria a despontar como o Jazz.
O passo seguinte é a vanguarda dos anos 1970 em Portugal, com José Eduardo a falar-nos da sua própria carreira e do Quarteto ARARIPA.
Um contraponto a essas experiências de enntão está na contemporânea de Bernardo Sasseti, cujo interesse e obra o tem aproximado cada vez mais do cinema, prevendo-se tranformações futuras.
Retornando aos tempos conturbados dos 1970s, Paulo Gil tem uma verdadeira anedota para nos contar sobre o JAZZ e a PIDE, a propósito do concerto de Dexter Gordon e o improptu de Charlie Haden...
Jorge Lima Barreto discorre sobre o que ser improvisador em Portugal, falando da sua experiência pessoal, mas cujas consequências terão um papel fundamental.
António Pinho Vargas abre os seus pensamentos e alma não apenas para falar do seu percurso, mas de muitos dos seus fantasmas, preocupações, que mara um artista deixa no mundo e o que o amanhã pode reservar. E é dele os sons de piano que encerram o episódio, do seu concerto na Festa do JAZZ 2009 no São Luiz Teatro Municipal.
São esses sons que também abrem o convite a ver-nos.

sábado, 14 de maio de 2011

15 de Maio: aTensãoJAZZ episódio 3




No episódio de hoje...
revisitamos os arquivos RTP e rememoramos uma entrevista de João Martins a Luiz Villas-Boas, em que se discute o jazz (de então) em Portugal (de então). José Duarte regressa, e concentramo-nos na sua conhecida e diversificada carreira, assim como na fundação do CUJ-Clube Universitário de Jazz - importante alternativa ao Hot Club (de então)...
Rememorando a própria presença do jazz na televisão portuguesa desde quase o seu arranque, Manuel Jorge Veloso fala-nos da relação da RTP com o jazz através dos vários programas especializados (inclusive um do próprio Veloso).
Também pela segunda vez em aTensãoJAZZ, o veterano Rão Kyao fala-nos do seu percurso musical, do saxofone às "canas"... e depois passamos a palavra ao jovem Desidério Lázaro, que termina a sua breve exposição com um concerto do Desidério Lázaro Quarteto, com o tema "Summon your demons".
ATensãoJAZZ já conjurou os seus!

domingo, 8 de maio de 2011

8 de Maio: aTensãoJAZZ episódio 2.

No episódio de hoje... temos as participações de José Duarte, Rão Kyao, Hélder Bruno Martins, Bernardo Moreira, Carlos Martins e Júlio Resende.
Com Jazé Duarte fala-se dos discos Estilhaços (do Steve Lacy Quintet, fruto da primeira gravação ao vivo comercializada sobre o concerto em Lisboa) e com Rão Kyao de Malpertuis (de Rão Kyao, tornando-se o primeiro disco de jazz "português" a ser gravado e comercializado em Portugal). O musicólogo e historiador Bruno Martins aborda a emergência do jazz em Portugal - marcando, segundo a sua perspectiva, com o concerto de Count Basie em 1956 - e as consequentes movimentações e atribulações para conseguir fundar o Hot Club (as razões por esses entraves divergem, e aTensãoJAZZ dá espaço a todas as versões). Fala-se com Bernardo Moreira sobre o primeiro "jazz" em Coimbra: a aprendizagem, os primeiros concertos e encontros (estudantinas não é só fado) e a chegada a Portugal de Jean-Pierre Gebler e as importantes mudanças na execução do jazz "Respeitem ons tons!"). Carlos Martins expõe a "cena" da primeira geração de músicos do pós-25 de Abril, nos anos 1980 e a sua profissionalização. E terminamos com um concerto de Júlio Resende Quarteto.
T-vejam!

Cenas do primeiro episódio...

O primeiro episódio já passou, e é começar que é difícil. Agora a bola de neve só pode continuar. Desenganem-se aqueles que pensam que ter visto um episódio já dá para "perceber tudo". Cada episódio será marcado por novos momentos, recuos e avanços e desdobramentos da História do Portugal jazzístico (ou "HiP-Jazz"), novas incursões em temas novos, já para não falar de abordagens em termos formais diferentes das anteriores. A cada noite... improvisa-se.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

1 de Maio: estreia.

No próximo dia 1 de Maio, Domingo, logo após o programa cultural Câmara Clara, estreará finalmente o primeiro episódio (de 10) de aTensãoJAZZ.
Foi feita uma apresentação pública na conferência de imprensa do Festival Jazz em Agosto 2011 na Fundação Calouste Gulbenkian, no qual se projectou uma espécie de pré-episódio ou trailer alargado, feito de fragmentos dos episódios já "fechados". Aqui o deixamos:

[No caso da imagem do vídeo ficar cortada, visitar aqui]
Repetindo alguma da informação já conhecida e divulgada, eis o texto do press release:
"Trata-se de uma série de 10 episódios de cerca de 30 minutos cada, assinada por Rui Neves e Paulo Seabra conhecida autoridade do jazz no nosso país, radialista e, entre outros papéis, director do festival Jazz em Agosto da Fundação Calouste Gulbenkian, e Paulo Seabra, realizador de vários filmes e documentários televisivos.
"Trata-se de um projecto nunca antes feito, tampouco tentado, de cobrir a especificidade deste género musical de grande mérito cultural e recepção crítica no nosso país, retratando aspectos inéditos da sua vida em Portugal desde as primeiras manifestações (anos 20) à dinâmica e diversa actualidade.
"Com o apoio da: Fundação Calouste Gulbenkian, Hot Club de Portugal e da Escola Villas Boas e do Arquivo Villas Boas da Câmara Municipal de Lisboa e do Teatro Municipal São Luiz.
"Segue ainda uma lista de entrevistados, para que possam compreender parte do escopo deste programa: José Duarte, Zé Eduardo, Paulo Gil, Bernardo Moreira, Duarte Mendonça, Manuel Jorge Veloso, António Barros Veloso, Luis Hilário, Maestro Jorge Costa Pinto, Helder Bruno Martins, João Freire, Jorge Lima Barreto, Kato - Carlos Barreto, Inês Cunha, Rui Martins, Carlos Martins, Carlos Bica, Rão Kiao, Júlio Resende, António Pinho Vargas, Desidério Lázaro, Pedro Madaleno, José Salgueiro, Bernardo Sasseti, Pedro Moreira, Laurent Filipe, Mário Delgado, Carlos Zíngaro, Mário Laginha, Maria João, Raul Calado, Artur Agostinho, e todos os directores das diversas escolas de Jazz do País.
"E alguns estrangeiros em arquivo [RTP]: Miles Davis, Dexter Gordon, Ornete Coleman, Keith Jarret, Steve Lacy, Charlie Mingus, Duke Ellington e Charlie Haden."
Neste primeiro episódio debater-se-ão alguns aspectos das origens do jazz, recordando o trabalho pioneiro de divulgação de Villas-Boas, os primeiros sinais do jazz em Portugal, nas décadas de 1920 e 1930, explicadas pelo musicólogo Helder Bruno Martins, mas também por algumas das testemunhas directas do jazz da rádio, dos cabarets, grupos de estudantes e outras realidades (como o Maestro Costa Pinto e Bernardo Moreira), explora-se uma lista de "primeiros" em Portugal (a primeira jam session, o primeiro festival de jazz, o primeiro disco de jazz produzido em Portugal, o primeiro disco de jazz português, o primeiro livro dedicado ao jazz), entre outros pormenores ou surpresas que não queremos estragar ao telespectador.
Muitas das histórias apontadas nesse episódio desdobrar-se-ão em episódios seguintes, criando-se assim um prisma complexo, por vezes contraditório mas por isso mesmo vivo do jazz que se respira por cá.
Esperamos deixar aqui no blog mais material complementar no futuro, logo a seguir a cada programa, assim como convidamos os seus visitantes a deixarem comentários ou perguntas, que tentaremos responder atempadamente.
Bom jazz!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Memória descritiva.

O jazz está, desde sempre, consubstanciado na luta dos seus criadores afro-americanos por uma visibilidade justificada desde o início do século XX quando surgiu nos E.U.A.
Conhecidos os envolvimentos sociais e políticos que condicionavam os jazzmen originais – discriminação racial e menorização da sua música face aos padrões dominantes – passou a ser utilizado pelos músicos o termo "struggle" que tão bem define a sua determinação em tocar uma música diferente e livre, lutando por torná-la reconhecida e adquirir um estatuto social pertinente de direito à Vida.
A passagem e a aceitação do jazz na Europa, a partir dos anos 1920, agora por músicos brancos unidos espiritualmente aos seus inspiradores afro-americanos, não deixou de constituir uma situação idêntica que a 2ª Guerra Mundial fez acentuar na repressão do regimes nazi e soviéticos.
O facto de hoje, neste princípio do século XXI, tanto na Europa como nos E.U.A., o jazz ter adquirido o reconhecimento das elites e de ter mesmo passado para o consumo populista, não apaga o carácter de pressão a que os seus músicos mais exigentes estão sujeitos.
Em Portugal e num regime obscurantista como o de Salazar, a pressão sentida pelos seus primeiros activistas, caso de Luís Vilas-Boas ou de José Duarte, é um perfeito exemplo das condições adversas em que se começou a criar um gosto no nosso público. É esta, por conseguinte, a justificação de uma história compactada de eventos determinantes que impuseram o jazz em Portugal, enumerando-os e explanando-os com rigor, década a década, para melhor se compreender o seu processo de sedimentação.
(do documento de candidatura do programa)